Na senda das tertúlias de antigamente, estes serão encontros informais, para conversarmos sobre livros e leituras, para lermos em voz alta, para ligarmos a literatura a outras artes. Enfim, para partilharmos emoções, palavras, experiências.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Resumo do Encontro do Dia Mundial da Poesia

Ontem lemos Pessoa, Sophia, O'Neill, P.B. Shelley, Natália Correia, Ti Manuel José do Tojal, Fernando Namora, Carlos Drummond de Andrade, Ruy Belo, Camões... entre outros.
Muitos e bons poemas que nos encantam os dias até ao próximo encontro a 18 de Abril, em que nos reuniremos para falar do livro Abraço, de José Luís Peixoto. Se não o conseguir ler, traga outro livro (à sua escolha) deste autor.

domingo, 18 de março de 2012

5º Encontro: 21 Março DIA MUNDIAL DA POESIA

É já na próxima quarta-feira, o nosso próximo encontro. A 21 de Março festejamos a Poesia. Junte-se a nós e traga os seus poetas preferidos. Se tiver dificuldade em escolher, siga o nosso conselho: assista ao Câmara Clara de hoje:


CONVIDADOS: ----------------------------------
Bernard Pivot, a referência do jornalismo cultural em França, diz que não é possível falar de Poesia em televisão. Que a Poesia é uma matéria demasiado delicada para sobreviver à sobre-exposição. Nesta emissão dedicada à Poesia, o Câmara Clara segue as recomendações de Pivot e vai dar-lhe… Poesia. De Pessoa a Sophia, de O'Neill a Ruy Belo e a Cesariny, entre muitos outros. E vai contar-lhe algumas histórias ligadas à Poesia: José da Cruz Santos, o veterano dos editores, assinala em 2012 cinquenta anos de um percurso editorial em que se destaca a obra de Eugénio de Andrade; os diseurs que abriram caminho às novas gerações da Poetry Slam merecem a nossa homenagem: de João Villaret a Mário Viegas passando, claro, por Germana Tânger, Eunice Muñoz, João Grosso. Finalmente: sabia que pelas Prisões de Portugal circula por estes dias um espetáculo de Poesia que oferece liberdade e alegria? Eis uma emissão especial do CC em que, em vez de um ou dois convidados, oferecemos a Poesia de mais de uma dezena. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Resumo do encontro de hoje

Noite cheia de boas leituras e boas conversas: para além de Um Amor Feliz, de David Mourão-Ferreira, falámos também de:

Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco
Nem tudo começa com um beijo, de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira, Oficina do Livro
O Amor o que é?, de José Jorge Letria e Catarina França, Ambar
A Melodia do Amor, de Lesley Pearse, ASA
Eu Espero, de Davide Calì e Serge Bloch, Bruaa
Oficina de Corações, de Arturo Abad e Gabriel Pacheco, OQO.

O nosso próximo encontro, totalmente dedicado à POESIA, terá lugar a 21 de Março. Contem desde já com muitas surpresas!

E porque amanhã está mesmo a chegar e o grande Zeca Afonso deixou-nos a 23 de Fevereiro de 1987 (há já 25 anos!), aqui fica Era um redondo vocábulo . Obrigada, Rangel, pela sugestão!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Amanhã há Quartas com Letras!


É já amanhã, às 20:30, mais um encontro das Quartas com Letras. Falaremos do livro Um Amor Feliz, de David Mourão-Ferreira.  
As leituras e as conversas, no entanto, não se limitarão a este livro e a este autor. Para quem não conseguiu ler o livro sugerido, propomos que tragam as vossas leituras actuais ou as vossas preferidas sobre a temática do Amor.  Contamos com a vossa participação! 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Faz-nos falta o grande Fernando Assis Pacheco


Faria hoje 75 anos. Porque nos faz tanta falta, sobretudo nestes tempos sombrios, não queremos deixar de lhe prestar homenagem relembrando:


O Poeta no Supermercado

I
Indignar-me é o meu signo diário.
Abrir janelas. Caminhar sobre espadas.
Parar a meio de uma página,
erguer-me da cadeira, indignar-me
é o meu signo diário.

Há países em que se espera
que o homem deixe crescer as patas
da frente, e coma erva, e leve
uma canga minhota como os bois.
E há os poetas que perdoam. Desliza
o mundo, sempre estão bem com ele.
Ou não se apercebem: tanta coisa
para olhar em tão pouco tempo,
a vida tão fugaz, e tanta morte...
Mas a comida esbarra contra os dentes,
digo-vos que um dia acabareis tremendo,
teimar, correr, suar, quebrar os vidros
(indignar-me) é o meu signo diário.

II
Um homem tem que viver.
e tu vê lá não te fiques
- um homem tem que viver
com um pé na Primavera.

Tem que viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
Um homem (um barco) até ao fim da noite
cantará coisas, irá nadando
por dentro da sua alegria.

Cheio de luz - como um sol.
Beberá na boca da amada.
Fará um filho.
Versos.
Será assaltado pelo mundo.
Caminhará no meio dos desastres,
no meio de miostérios e imprecisões.
Engolirá fogo.

Palavra,
um homem tem que ser
prodigioso.
Porque é arriscado ser-se um homem.
É tão difícil, é
(com a precariedade de todos os nomes)
o começo apenas.

in A Musa Irregular, Asa, 1996.